Todo mundo ta careca de saber que a Europa tem uma estátua em cada esquina. Tem estátua de tudo quanto é jeito: só a cabeça; só o corpo sem a cabeça (não tô falando de mula sem cabeça não, isso é folclore brasileiro); corpo todo; só corpo sem membros (a Vênus de Milo que o diga); só braço procurando corpo; alma penada etc. O Louvre tá cheio de pedaço de estátua: é mais ou menos uma versão do massacre da serra elétrica glamurizado, voilà. O mais interessante é que se você não sabe nada sobre a estátua, ela é só mais uma na multidão. Mas depois de descobrir que aquele cotoco sobreviveu à guerra de Tróia, ao mar de Moisés (antes ou depois do Dilúvio??), ao inferno de Dante, à batalha de Jason versus Krueger, aí você fala: uau, que lindo!!
Dá pra contar a história de cada cidade daqui só pelas estátuas. Bem, acho que é pra isso que essas pedras de fino trato servem. Uma vez, em Paris (ai, ai), num décimo andar qualquer, percebi, de madrugada, via reflexo na vidraça, uma silhueta super estátua e pensei com meus botões tupiniquins ``essa cidade é chique mesmo, tem até estátua no topo dos prédios``; só que, na manhã seguinte, ao abrir a janela, dei de cara com uma espécie de tuba meio desengonçada (acho que era um cano gigante) e, claro, disfarcei, olhei pros dois lados e fingi que não era comigo. Acho que ainda cumprimentei um pássaro, mas ele, como todos os franceses, fez ar blasé, bateu asas e voou.
Dia desses, resolvi encontrar um amigo pra tomar uma cerveja e jogar conversa fora. Me lembro bem que o local combinado era ``debaixo da pata do cavalo``. É isso mesmo. E a tal pata do cavalo, segundo meu interlocutor, era o local que todo lyonense conhece de cor. Eu achei gozada a referência e, claro, não entendi. Ele explicou que a estátua, montada num grande cavalo, era Luís XIV - o rei mais queridinho por aqui e que passou todo o seu longo reinado sem tomar banho (Eu sei o que ele fez no verão passado!). Bem, após a explicação sobre o local, visualizei no ato o tal cavalo e disse na bucha: claro que sei onde é; em 1h te encontro lá. Desliguei, me sentindo o próprio filho de Lyon.
Bem embaixo da dita pata esperei dez, vinte, quarenta minutos. Eu já estava começando a achar esses chicos franceses pouquíssimo britânicos, até que eu resolvi examinar se a cara do tal do Louis XIV era amigável (eu só tinha olhos pro tal do cavalo até aquele momento) e, acredite, o pânico foi imediato, porque ao mirar o nosso amigo, vi que ele era, digamos ... ela!! Tudo bem que hoje em dia é fácil mudar de sexo, fazer e desfazer cirurgia, aumentar e diminuir os trem de cima e os treco debaixo; mas, peraí, na época de Louis XIV não existia nem movimento gblt (movimento de gays, berinjelas, lésbicas e talibãs), quanto mais mudança de sexo. Desse modo, aquela mulher que eu mirava, incrédulo, não podia ser nosso amigo Luisinho repaginado, de jeito nenhum. Maldição!! Mais uma vez troquei Asa Sul por Asa Norte!
Pra resumir, eu fui parar debaixo do cavalo errado (opa, isso ficou ambíguo). A tal mulher montada no tal cavalo da tal praça onde eu estava não tinha nada de Rei Sol (nome de guerra de Luís XIV). Ela, a estátua, é, na verdade, a alegoria de um dos rios que atravessam Lyon. No dia seguinte, soube ainda que Luís XIV viveu e morreu macho man, não tinha mudado de sexo não. E o resultado disso tudo é que perdi o programa do sábado, porque não tinha celular pra perguntar onde diabos eu deveria ter ido. Voltei para casa indignado e rezando para que a estátua que certamente farão do Sarkozy esteja montada num porsche prata; aí, dificilmente, vou confundir um cavalo com o outro. E viva o ano do Rubito, cada dia mais perdidim, na França!
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Muito gostosas essas suas notícias, Rubens. hehehehe
ResponderExcluirah rubens... como um braziliense consegue se perder? impossível! haha!
ResponderExcluirpra quem se perdeu até em Goiás Velho, ser perdidim na França não é nada...
ResponderExcluirAprendeu a lição, né? Celular já! Beijo!
ResponderExcluirse a estatua tiver o mesmo futum q ele devia ter, da pra achar pelo cheiro! kkkkkk
ResponderExcluirpra quem tava acostumado a se encontrar na 304, por exemplo, de repente ter de saber onde é debaixo da pata do cavalo, realmente é uma mudança significativa... quem manda querer ser francês, cherie?
ResponderExcluirAvexe!!! Imagino os futum de Versailles no verão francês. O perfume até podia disfarçar, mas MEDO só de imaginar a hora que esse povo se despisse pro ralas-e-rolas reais.
ResponderExcluirA pata do cavalo é uma referência interessante. Vou adotar. Da próxima vez vou combinar com a galera na tesourinha da 4.
Vc tem que publicar um livro com todas essas suas aventuras!!!
ResponderExcluirDemais!!
kkkk!ainda bem que a tal pata era de pedra,hein? se fosse de verdade! poderia te esmagar com tanta falta de paciência! "o que esse virgulinin tá fazendo aí???".Amei o texto!bjkas
ResponderExcluirnossa, marisa. serial killer de macacos é ótimo!!! adorei. eheheh
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