segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

homem-boom!!

Viver em uma cidade multiétnica é fascinante, porque a cada minuto você vê um tipo bem curioso que em geral só se encontra naquelas edições da National Geographic que vira e mexe encontramos banguelas e desbotadas nuns poucos consultórios de dermatologia ultrarrefinados (yes, eu frequento; ou você acha que eu mantenho esse look garotoxxx só com a água de Araxá?). Se bem que, quando o assunto é fauna, eu prefiro mesmo é a revista Caras, pois só ali vemos a Suzana Vieira, gorda e senhora do destino, na praia, desfilando com o seu novo pm. Tem décadence melhor do que essa? Por isso não troco Caras por NGeo. nenhuma.

Aliás, falando em NGeo., que graça tem aquele mico-leão que já está pra ser extinto desde que me entendo por gente e ainda continua lá, em todas as edições da revista, mais loiro do que a Ana Maria [que também frequenta a mesmíssima (ilha de) Caras, geralmente com um pm amigo do pm da SuVieira] ? Daqui a pouco vão colocar o tal miquinho-douradinho nas campanhas pró virgindade, ou no Criança-ai-que-saco-Esperança; dizem até que ele anda tomanda chá das 5, às 5, com a rainha da Inglaterra, tal o seu prestígio. Quer saber, esses gremlins almofadinhas já me torraram, além de já terem enterrado muitas espécies (inclusive o pobre do Darwin). No final das contas, tão mais vivos que o branco mais branco de Omo Branco Total. To pensando até em encomendar ao greenpearcing (perco o leitor, mas não perco o trocadilho) uma campanha para extinguirmos de vez essa raça.

Peraí, eu só comecei a falar de mico-leão, SuVieira e outros quadrúpedes, bravos merecedores da extinção, porque a diversidade aqui em Lyon é de fato interessante. E me parece que as raças que vejo por aqui (árabes, japas, indianos, eu...) soam mais exóticas do que as que desfilam na Festa de Parintins. Por exemplo, na minha segunda semana, voltando da faculdade, numa espécie de bonde high-tech - que dá um ar futurista pra cidade, que é medieval-, eu estava num aperto só, dentro do tram (é como se chama esse tipo de bondinho/trem), e acabei tocando (no bom sentido) uma moça, muçulmanamente trajada a caráter. Achei aquilo lindo. Em que outra circunstância eu poderia ficar tão próximo de alguém duma cultura tão diferente? Só durante a leitura da NGeo., no consultório que não mais frequento, por culpa dos micos-leões e da PM!

Outro dia mesmo, no mesmo bonde, indo a algum lugar debaixo de muita neve (enquanto o Rio era 40º), enquanto eu arranhava um diálogo com uma família engraçadíssima de kosovares (koso o quê??), tinha sob a minha mira uma família de africanos com um bebê que usava uma super peruca, tipo rastafári (cuti-cuti), ao mesmo tempo em que eu observava dois japoneses mais à frente – se bem que esses não levo em consideração, pois é incrível como sempre tem um japoronga (chinês? coreano? Spectreman ?) em tudo quanto é buraco na França (dizem até que a Gioconda agora se chama `Gioconda-né` ). Acho até que vi alguns franceses no bonde, mas pouco importa neste texto. Ainda sobre a família excêntrica de Kosovo, é bom esclarecer que sua etnia, sim, quase foi `lavada`, há alguns anos, enquanto o fdp do mico-leão tava numa sessão de fotos com o Sebastião Salgado pra próxima capa de alguma revista cult. Bichos escrotos, saiam dos esgotos...

Mas como todo lado A traz sempre um lado B, eu parei de romantizar a multietnia quando toquei, de forma, digamos, mais íntima, um muçulmano, na madrugada. É isso mesmo. Eu voltava de bicicleta de um bar e, no meio do caminho, cruzei com um táxi. O motorista, um árabe com cara de poucos amigos (aliás, tenho a impressão de que todos estão sempre nesse estado delicado), avançou o carro e, homembombamente, freou de repente (rimou!). Resultado, eu e a bicicleta beijamos o chão, no meio da noite, no meio da rua, em Lyon, na região Rhône-Alpes, na França. Se você se lembra do nosso amiguinho Hulk (não é o genérico Luciano caras Huck marido da SuVieira de amanhã: Angélica) - e falo do legítimo e incrível Hulk - vai entender como me soergui (gostou do verbo?). Foi Batman e Robin à primeira vista: SLEPT! VRUM! TROM! BRUING! ZRUMP! CHREPT! FROMM! Lembro inclusive que no calor da troca cultural, segurei a cabeça dele por uns 23 segundos (22? 14? -2?) e, num golpe de matar o Maguila de inveja, mostrei quem mandava (culpa das cervas).

Esse encontro cultural durou bons 10 minutos e com direito à francesada toda abrindo a janela, às 3 da matina. O pior é que acho que euzito fiz a barbeiragem. Mas nunca fui atrás da verdade - deixo prum futuro episódio do Arquivo X. O fato é que eu não podia perder o ar de ofendido. E dá-lhe (e tome) cocorote! Tudo parece divertido agora, mas, na hora, jurei que ele ia detonar a bomba que todo homem-boom guarda no lado esquerdo do peito. Eu ouvia inclusive a Fatita Bernardes (que é amiga da SuVieira, da Angélica e do mico-leão fdp), falando em rede nacional: `Brasileiro detona homem-bomba no coração da França`, ou `Explosão cultural na França` ou, numa chamada mais governo Lula, `Filho de nordestinos toca o terror na França`. Praticamente vivi os meus 5 minutos de pitboy – globetrotter-globeleza.

Até agora não me deportaram.

Pensando bem, eu devia ter fotografado o hematoma, no braço, que me acompanhou durante uma semana. Minha mãe ia morrer de orgulho ao ver que seu filho anda honrando o lado Virgulino que corre em minhas veias (com sotaque francês, s´il vous plaît !). Hoje, toda vez que passo por um Mercedes (os táxis aqui são todos Mercedes e todos conduzidos por árabes), lembro o meu encontro multiétnico lyonense. Melhor do que NGeo. Melhor do que Caras. Eis a aventura da miscigenação. E viva o ano do rubito-pitboy-globetrotter, na França.

10 comentários:

  1. rarararararrararararara
    Amei tua filosofia "vamos explodir os corações e abaixo-o-micoleonismo verde"!!! Vc ficaria orgulhosa de mim: semana passada quase atropelei dois na pista do ParkAway... :'-S
    Saudades, amigo. Beijo enorme!!!

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  2. ah... ia ser divertido se o tio tivesse uma bomba...

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  3. XUXU....vc quer me matar do coração....sem bomba, é claro....rsrs. Agora se na volta vc quiser publicar o Ano do Rubito na França...venha com dinheiro na cueca, na meia, na luva, na toquinha... pq vc acha que o mico e as globais não vão querer dindim pelas citações.....bjs e "te cuida"rsrs

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  4. rubito, maguila por um dia... que meda, rurru!
    como sempre, ri muito, o guido então, que é seu leitor, mais ainda. te cuida cherrie.
    bjs

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  5. diversidade é esse texto que vai de mico-leao a homem-bomba
    kkkkkkkkkk
    sem falar na suzanete e ana maria brega
    e as fotos? tao onde? quero ver!!!!
    bjao!
    raquel aviani

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  6. viu o comentário do ravel, tá dando mau exemplo pro menino....
    com sua carinha , o que acha que esse povo achou de que etnia vc era? quem vc era? que dúvida absurda, não, vc deve parecer um típico francês...?
    bjos
    dessa vez é muito trocadilho ( excelentes) por metro blog quadrado..ufa...cansei e me perdi no texto,
    é a veêra, preciso de ginko biloba
    bjos

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  7. esqueci de contar que houve um exterminio dos macacos da agua mineral, sabia?
    um doido, que alias, era um habitue, e diz ter plantado grande parte das arvores do parque, disse que os macacos nao sao naturais dali, e estavam causando um desequilibrio ecologico, comendo coisas que nao eram para serem comidas, etc.
    daí ele resolveu colocar veneno e matou mais da metade dos macacos. agora eles nem ficam mais lá roubando nosso lanchinho... Brasil, né, filho?

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  8. nossa marisa, serial killer de macacos nunca tinha ouvido falar. adorei. eheh

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